01/01/2017 - Faleceu neste domingo, 01/01, por volta das 22h15, no Hospital de Caridade Anita Costa de Santo Anastácio, o Sr.Olavo Ayres de Lima, aos 93 anos de idade. Era conhecido por Chefe Olavo, por ser durante muitos o Chefe dos Escoteiros de Santo Anastácio.
Era viúvo da Sra. Maria Aparecida Alves de Lima. Ele deixa os filhos, Maria Eugenia, Oliver (Branco) e Darli. Residia na Rua Joaquim Nabuco, 312, em Santo Anastácio.
A Sr. Olavo está sendo velado no Memorial Ramires, na Rua João Toledo, 49 - Vila Ramires em Santo Anastácio.
O sepultamento está previsto para hoje às 17:30 horas no Cemitério da Saudade (antigo) em Santo Anastácio.
Aos familiares e amigos externamos as nossas mais sinceras condolências. Que o Sr.Olavo descanse na Paz Eterna do Senhor...
Hoje estamos enlutados e tristes pelo passamento
do Chefe Olavo, porém ao mesmo tempo jubilosos, pois que perdemos o corpo
material, mas o seu espírito de vida de homem colaborador, de cidadão, de
bondade para com todos, uma pessoa, um ser ouvinte e conciliador, para sempre
viverá em nossas mentes. E como diz o dito popular, enquanto houver alguém que
se lembre de outrem, este sempre viverá. Viverá nas mentes daqueles que dele se lembrar e
quem dele falar ou escrever. Por isto escrevi esta crônica de elegia e de
homenagem ao querido Chefe Olavo, publicada que foi em sites, blogues e em
redes sociais no dia 11/11/2011.
Descanse em Paz meu
querido e dileto Chefe Olavo, o Olavo Ayres de Lima...
Chefe
Olavo, um exemplo de cidadão que sempre foi e sempre será...
José Carlos Ramires
jc_ramires@hotmail.com

Chefe Olavo, uma figura
exemplar, um cidadão por excelência, um homem simples, com humildade aflorando
em sua pele, em seus atos e palavras. Seu nome completo, Olavo Ayres de Lima,
tendo “y” no seu nome Ayres, que diz ele, não sabe de onde provem, ou pelo
menos o do porquê de tão inusitado nome, segundo suas palavras. E que faz
“questam” deste “y”, como sempre costuma dizer para o vocábulo “questão”, um
cacoete lingüístico, talvez ligado ao caipirismo, por conta de suas origens e
do local de seu nascimento, a bela Itapetininga, uma das cidades da média Sorocabana
pertencente ao Quadrilátero Caipira, região formada pelas localidades de
Sorocaba, Botucatu, Piracicaba e Campinas, de onde muitos músicos surgiram, e
que, tal como os violeiros, cantadores do sertão, sanfoneiros e das famosas
“duplas caipiras”, também o Chefe Olavo, nascido entre eles, contagiado foi
pela virose musical muito forte da região, tornando-se um apaixonado pela
música e de seus instrumentos de sopro, as cornetas, clarins e trumpetes... Em
muitos bailes e orquestras, este músico Olavo, encantou e alegrou... Jovens e
adultos.
Nascido
em 23 de dezembro de 1923, de sua mãe d. Eugênia Ayres de Lima e de seu pai, Cesário
Ayres de Lima, Olavo, um rapazote com seus 14 anos incompletos, chega a Santo
Anastácio no último trimestre de 1937, que para ele, penso eu, deva ter sido
uma experiência única e marcante.
Seu
pai, Sr. Cesário, nascido em Ribeirão Preto, um rapaz que trabalhava como
músico num circo, por uma dessas andanças circenses, chega a Itapetininga e lá
conhece linda senhorita de nome bonito e charmoso, Eugênia... Com ela se
casa, por lá fica e estabelece residência. Trabalha como músico e como
funileiro na confecção de artigos de lata e de folhas-de-flandres, como
canecos, funis, lamparinas e lampiões a querozene e outros produtos e artigos
de ferro. Com d. Eugênia teve dois filhos, um que logo morre aos sete anos de
idade e o segundo, Olavo, que por tal destino, acaba sendo filho único.
Como
sabia escrever, seu Cesário arruma um trabalho num banco em Pirajú e para lá se
muda. A família mora um tempo em Ipauçú e depois em Assis. Aqui nesta cidade passa
a trabalhar na Estrada de Ferro Sorocabana, dando por vir a Santo Anastácio,
com a mulher, d. Eugênia e seu filho Olavo, para trabalhar por alguns meses...
E por aqui acabou ficando e montando residência. E de Santo Anastácio, ela e
seu filho Olavo nunca mais saíram... E adotaram este rincão anastaciano, como lar
definitivo...
D. Eugênia, por conta de
sua atividade de parteira, profissão de prática adquirida ainda em Itapetininga,
por obra e arte de uma enfermeira-parteira formada na Escola de Medicina de Curitiba,
que muito a auxiliou nos altos de Itapetininga. Muitos partos aqui executou e
muitas crianças ao mundo ela apresentou.
Foram mais de duas mil
crianças que de suas mãos nasceram. Muitas crianças e muitas estórias, de vidas
ainda por contar, que de muitos não se sabe, mas ela, no seu mundo espiritual
reservado, sabe quem e porque vieram, porque nasceram e um destes, de suas mãos
nascido, neste momento escreve e a homenageia, e também a seu filho, e por isto
e por muito mais, meus agradecimentos sinceros lhes dedica. À d. Eugênia, por
meu nascimento e ao Chefe Olavo, por seus exemplos de cidadania, de humildade e
de bondade.
Em
Santo Anastácio, Olavo conhece uma graciosa jovem de nome Maria, que de
Aparecida lhe completa. Casam-se na Igreja Paroquial de Santo Anastácio em 08
de dezembro de 1948, e deste matrimônio, três filhos nascem: Maria Eugênia,
Darli e Oliver, e de seus casamentos, chefe Olavo e sua mulher Maria, hoje, sete
netos e dois bisnetos possuem... Mas, muitos outros descendentes deixa o Chefe
Olavo, seus pequenos e jovens escoteiros espalhados, que com certeza em seus
corações e mentes, um gosto alegre de saudade a todos os remete.
A
vida deste anastaciano de coração foi pautada por exemplos dignos de um
verdadeiro cidadão, preocupado que era pelo encaminhamento dos jovens, nas
sendas e nos ensinamentos do Velho Lobo, codinome de Benjamim Sodré, um
Almirante, que escreveu o “Guia do Escoteiro”, de 1925, servindo a muitos
grupamentos de escoteiros como guia e orientação em suas atividades e também ao
Velho Lobo anastaciano, o Chefe Olavo.
Em 18 de março de 1967 é
admitido na Venerável Loja Maçônica “José Bonifácio”, onde também se dedicou
com muito amor e incansável labor, às lides e responsabilidades desta augusta e
respeitável Ordem. Foram 44 anos de atividade ininterrupta...
Chefe
Olavo, digno e diligente vereador na 7ª legislatura, de 1973 a 1977. Foi também
Conselheiro Tutelar em nossa comunidade e, já de algum tempo, é membro
honorário do Rotary Club desta cidade. A sua profissão sempre foi a de pintor,
pintor de casas, de letreiros, de propagandas em painéis e de tudo que se
relacionasse a letras e a escritos, e também pintor de todo tipo de
equipamentos. Um incansável batalhador nesta lide.
Mas,
de certo modo, o que ficou marcado em sua vida, foi a sua dedicação ao
Escotismo em nossa terra. Em 1955 teve seu primeiro registro oficial na UEB –
União dos Escoteiros do Brasil. Fundador e criador do Grupo Escoteiro Caiuá, nº
124 – UEB/SP (http://gecaiua.blogspot.com/)
.
Entretanto,
desde 1938, com idade de 14/15 anos, sempre lidou com o escotismo, seja
participando ou chefiando. Foram mais de 60 anos de luta e dedicação ao
escotismo anastaciano. Muitas crianças e jovens anastacianos passaram pela
orientação educadora do grande e agora “Velho Lobo”, o grande “Chefe”, o sempre
e sempre Chefe Olavo...
A
você, meu querido Chefe, os nossos agradecimentos e em nome de todos e por
todos os seus pupilos escoteiros, um sempre e grandioso grito de “hurra”...
E
em especial, neste glorioso dia de 11 de novembro de 2011, véspera das
festividades das comemorações republicanas, do dia da Bandeira e das
comemorações dos 86 anos de emancipação político-administrativa de nosso
município, quando a Câmara Municipal outorga e entrega ao Chefe Olavo, com
justiça e glória, o seu bem merecido, justo e perfeito título de “Cidadão
Anastaciano”, que em verdade, sempre foi e sempre será... Os nossos parabéns ao
cidadão Olavo Ayres de Lima, o nosso sempre “Chefe Olavo”...
Um abraço especial, por três vezes... Esteja você onde estiver, meu caro Chefe Olavo... Um dia nos encontraremos...
José Carlos Ramires
11/11/2011
Republicado hoje, 02 de Janeiro de 2017...